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Quatro meses de agenda encolhendo, uma pasta com 640 áudios de simulado aprovados pelo aplicativo e uma amostra onde 1 em cada 4 respostas seria reprovada por uma banca real.
Renata tem 36 anos e mora em Campinas. Nove anos de aula particular de inglês para adultos: executivo, estudante de intercâmbio, gente destravando a fala antes de uma viagem. O nome vai trocado aqui, e a escola que reduziu a carga dela é a mesma que hoje contrata os simulados de banca.
O corte chegou pela renovação de plano, sem aviso formal. Uma escola parceira passou a incluir o aplicativo de conversação no pacote e sugeriu manter só uma aula humana por mês. Em quatro meses, os 22 alunos semanais de conversação viraram 7, e os que ficaram eram os difíceis: sotaque travado e medo de falar em público.
Com o pagamento preso à hora de aula, a matemática ficou direta:
Antes, 22 aulas por semana a R$ 95 a hora: R$ 8.360 por mês
Depois do aplicativo, 7 aulas por semana, mesma tabela, mesma câmera: R$ 2.660 por mês
Mesma sala, mesmo fone.
A virada aconteceu por teimosia. Renata seguia com acesso ao painel de dois grupos de estudo e passou a ouvir todo dia os áudios que o aplicativo tinha aprovado. Não reclamava com ninguém, anotava numa planilha: aluno, cenário, o que o aplicativo elogiou, e o que um examinador com critério publicado apontaria na mesma resposta.
O resultado apareceu em quatro colunas depois de três meses. Em 640 respostas aprovadas pela correção automática, 152 seriam reprovadas por banca: 58 por resposta que não cumpria a tarefa pedida, 41 por vocabulário genérico onde o critério exige termo do domínio, 33 por pronúncia que atrapalha a compreensão em rádio ou telefone, e 20 por tempo de resposta fora da janela do exame.
Renata começou a manter um mapa de banca por exame e por profissão. Qual é o critério publicado, qual tarefa a resposta precisa cumprir, que termos o avaliador espera ouvir e em quanto tempo a fala tem que caber.
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Ali o trabalho deixou de ser hora de conversa e passou a ser duas entregas separadas que o mercado sempre pagou embrulhadas. Uma era o tempo de puxar assunto e corrigir estrutura. A outra era a leitura da resposta contra o critério de quem aprova ou reprova, com o nome do aluno em jogo.
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Com o mapa na mão, a preparação de um candidato caiu de doze encontros para cinco, e o grupo que testou o formato passou de 6 aprovados em 10 para 9 em 10 na primeira tentativa. Quando a coordenadora da escola perguntou por que aquela turma passou a aprovar mais com menos aulas, Renata mandou a planilha com data ao lado.
A proposta nova saiu seis semanas depois, com a unidade trocada de hora de aula para preparação de banca:
Simulado de banca com parecer escrito, resposta lida contra o critério publicado, com nota provável e o que corrigir: R$ 320 por sessão
Mapa de banca por exame, tarefa, critério, vocabulário obrigatório e janela de tempo: R$ 2.900 por implantação
Preparação de domínio fechado, inglês de cabine, de plantão médico ou de auditoria, em ciclo de seis encontros: R$ 3.600 por candidato
A escola aprovou o formato para dois exames e passou a exigir simulado com parecer antes de qualquer inscrição paga pelo aluno. Cinco meses depois, dando menos de uma aula de conversação por semana, Renata fechou um mês acima de R$ 11 mil com 9 bancas e duas implantações no contrato.
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