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O triador de esteira trabalha em pé, numa plataforma elevada, com o lixo passando na altura da cintura.
A rotina numa usina de reciclagem segue uma ordem fixa. O caminhão despeja a carga, uma pá mecânica alimenta a esteira, peneiras separam o miúdo e ímãs puxam o ferro. Só depois o fluxo chega às mãos.
Cada triador costuma ter uma tarefa estreita. Um pega só papelão, outro só garrafa transparente, outro só o contaminante (o que estragaria o fardo, como fralda, pilha ou sacola presa em papel).
O que ele cata cai num tubo aberto ao seu lado e desce para um contêiner embaixo da plataforma. O que ele deixa passar segue até o fim da linha e, em muitas usinas, acaba no aterro.
O saber do triador é físico. O PET (o plástico de garrafa de refrigerante) estala quando se aperta. O polipropileno (o de pote de margarina) dobra sem quebrar. O poliestireno (o de copinho descartável) racha seco.
O ritmo também é ofício. A esteira não para para quem hesita, então o triador decide com a peça ainda andando, e a mão já busca a próxima enquanto a anterior cai no tubo.
Com a bandeja preta, ele usa as mesmas pistas. O formato diz a origem, a rigidez diz o material e a sujeira diz se vale a pena salvar a peça ou jogar no rejeito.
A garra da ZenRobotics não tirou esse posto. Na usina da SITA, o robô assumiu o entulho grosso e pesado, justamente a parte que mais machucava. A cabine passou a cuidar do resto, com menos carga nas costas.
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“É comparativamente fácil fazer computadores mostrarem desempenho de adulto em testes de inteligência ou no jogo de damas, e difícil ou impossível dar a eles as habilidades de uma criança de um ano quando o assunto é percepção e mobilidade.” Hans Moravec, Mind Children, 1988.
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O roboticista austríaco descreveu o que ficou conhecido como paradoxo de Moravec (a ideia de que o difícil para a gente é fácil para a máquina, e o contrário). Pegar uma bandeja suja, torta e meio coberta por papelão é tarefa de criança de um ano.
Para o software, ela pede duas habilidades separadas: reconhecer a peça e decidir como agarrá-la. Na garra antiga, um objeto mole ou escorregadio escapava antes da calha.
A ZenRobotics seguiu crescendo e, em 2022, foi comprada pela americana Terex, fabricante de equipamento de construção. Pelo que a empresa divulgou, os robôs trabalham em linhas que ainda têm gente na cabine.
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