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Um semestre lendo pedidos de revisão, 212 contestações de decisão automatizada em quatro carteiras, e uma coluna nova na planilha mostrando que 2 em cada 5 caíam quando alguém olhava o documento.
Renata tem 38 anos e mora em Londrina. Onze anos de mesa de crédito numa financeira de porte médio, com carteira de consignado e crédito pessoal. O nome vai trocado aqui, e a casa que cortou a função dela hoje paga a revisão por pedido.
O corte chegou pela troca de motor, sem aviso formal. A financeira contratou um escore de mercado plugado na esteira, com política parametrizada e aprovação automática até certo ticket. Em quatro meses, os seis analistas viraram dois conferentes, e as propostas que sobraram na mesa eram as feias: renda informal, autônomo sem vínculo, cliente com restrição baixada há pouco tempo.
Com o pagamento preso ao volume de ficha analisada, a matemática ficou direta:
Antes, análise de 3 carteiras a R$ 2.400 por carteira: R$ 7.200 por mês
Depois da esteira automática, conferência de 1 carteira, mesma mesa, mesmo monitor: R$ 2.400 por mês
A virada aconteceu por teimosia. Renata continuou com acesso à caixa de atendimento onde entravam as reclamações e os pedidos de revisão, e passou a ler todo dia o que chegava. Anotava numa planilha: cliente, produto, a nota que o modelo devolveu, a razão real da recusa e o documento que contestava a razão.
O retrato apareceu em quatro colunas depois de seis meses. Em 212 pedidos de revisão, 87 tinham fundamento: 34 por renda comprovável que a esteira não enxergava porque o cliente era autônomo, 26 por restrição já baixada e não atualizada no cadastro consultado, 18 por dívida de terceiro homônimo e 9 por limite consumido em conta encerrada meses antes.
Renata começou a manter um mapa de contestação por produto e por variável. Qual corte da política derruba a proposta, qual documento reverte cada tipo de recusa, qual é o prazo de resposta ao titular e qual redação o jurídico aceita assinar.
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Ali o trabalho passou a ser duas entregas separadas que o mercado sempre pagou embrulhadas. Uma era o tempo de transformar ficha em parecer. A outra era a leitura da decisão automática contra o documento do cliente, com a assinatura de alguém no papel de quem responde.
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Com o mapa na mão, a resposta a um pedido de revisão caiu de onze dias para três, e a carteira que testou o formato saiu de 4 reclamações escaladas em 10 para 1 em 10. Quando a diretora perguntou por que aquela carteira parou de virar processo no consumidor, Renata mandou a planilha com data ao lado.
A proposta nova saiu oito semanas depois, com a unidade trocada de ficha analisada para revisão respondida:
Revisão de decisão automatizada com parecer assinado, negativa lida contra o documento do cliente, com risco estimado: R$ 390 por pedido
Mapa de contestação por produto, corte que dispara, documento que reverte, prazo legal e redação aceita: R$ 3.800 por implantação
Auditoria prévia de política antes da virada de safra, conferência dos cortes que mais geram contestação, em ciclo mensal: R$ 2.100 por carteira
A financeira aprovou o formato para dois produtos e passou a exigir a auditoria prévia antes de cada troca de política. Sete meses depois, sem analisar uma ficha sequer, Renata fechou um mês acima de R$ 11 mil com 14 revisões e duas auditorias mensais no contrato.
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