In partnership with

Segunda Rota   Segunda Rota
ED 031
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Cento e dezoito rodadas e um nome no registro do TSE

O software monta o questionário e calcula a ponderação em minutos, e a Resolução 23.600 continua exigindo uma pessoa inscrita no conselho.

Sala de instituto de pesquisa à noite, prancheta de campo e formulário impresso sobre a mesa ao lado de um teclado.

O registro pede um nome que o software não tem

▼
 

Aos 38 anos, a estatística Marina Quezada assinou às 23h de uma quinta-feira o registro de uma pesquisa eleitoral de intenção de voto, e percebeu que nenhuma conta daquele arquivo tinha saído da mão dela.

O ciclo tinha sido o mesmo por onze anos. Desenhar o questionário, definir a amostra, o recorte de eleitores que representa o estado inteiro, calcular a ponderação, o ajuste de peso que aproxima o perfil de quem respondeu ao perfil de quem vota, e entregar o resultado ao cliente antes do jornal das sete.

O Tribunal Superior Eleitoral aprovou em 2019 a Resolução 23.600, que obriga quem realiza ou contrata pesquisa eleitoral a registrá-la no sistema do próprio tribunal antes da divulgação, com o plano amostral, o questionário inteiro, o valor contratado e o nome do estatístico responsável acompanhado do número de inscrição no Conselho Regional de Estatística.

O software faz bem tudo que é regra fixa. Sorteia setores censitários, o pedaço de bairro que o censo usa como unidade de campo, preenche quota de sexo, idade e escolaridade, roda a ponderação por várias variáveis e devolve a margem de erro sem errar uma casa decimal às duas da manhã.

O que ele não faz é responder. Quando a pergunta sugere a resposta pela ordem dos nomes, quando o peso de um grupo pequeno estoura e um respondente passa a valer por trinta, quando a rodada saiu num feriado prolongado e o interior sumiu da coleta, alguém precisa olhar, recusar e colocar o próprio registro profissional embaixo.

Marina trocou o plantão de apuração por um turno de operação de sistema com salário menor, e entendeu que o serviço novo dela não era conferir a planilha da máquina: era responder pelo dado quando um advogado de campanha protocola impugnação e pede o plano amostral inteiro.

A travessia de hoje é de uma estatística que perdeu o cálculo da pesquisa para um software, passou dezenove meses anotando cada rodada que teria ido ao ar torta, e descobriu que o caderno tinha contagem, tipo e preço em reais.

Continue lendo ↓

 
 

I  A história de quem atravessou

De 14 rodadas por mês a 9 laudos assinados

Dezenove meses de caderno, 118 rodadas acompanhadas depois que o software passou a montar o questionário sozinho, e 37 delas com peso de ponderação alto o bastante para mudar a ordem dos candidatos.

Marina tem 38 anos e mora em Campinas, a quarenta minutos do instituto. Onze anos de pesquisa eleitoral, os últimos dois num turno de operação ao lado do sistema. O nome aqui vai trocado, e as duas contratantes que hoje pagam pelo laudo dela nunca tinham comprado esse serviço de ninguém.

A mudança de função veio com o contracheque remontado. Na apuração, o salário juntava base, adicional de campo em período eleitoral e prêmio por rodada entregue no prazo. No turno de operação, o adicional sumiu e o prêmio virou bônus anual do instituto inteiro.

Antes, apuração de pesquisa eleitoral com adicional de campo e prêmio por rodada: R$ 11.400 por mês

Depois do software, operação de sistema em escala administrativa, sem adicional de campo: R$ 7.200 por mês

A virada aconteceu por teimosia de quem já tinha desenhado centenas de amostras à mão. Marina passou a anotar, num caderno de plantão, cada rodada que o sistema entregou pronta, com cinco campos: qual disputa, o que estava errado no arquivo, onde a regra do tribunal tratava daquilo, quantas horas até alguém corrigir e quem corrigiu.

O retrato apareceu no fim do segundo semestre de registro. Das 118 rodadas, 37 tinham peso acima do limite que o próprio instituto definia como aceitável, 29 traziam ordem de nomes fixa da primeira à última entrevista, e 22 tinham quota do interior abaixo do previsto sem nota no arquivo. O intervalo médio até uma correção ficou em 26 horas.

O dado que mudou a conversa com a diretoria foi outro. Nas 37 rodadas de peso estourado, o intervalo médio até a correção subiu para 61 horas, porque cada uma exigia reabrir o banco de entrevistas, recalcular a ponderação e refazer a margem de erro antes da divulgação.

Marina montou um laudo de plano amostral e ponderação por rodada, com o que precisa estar checado antes de o resultado sair do instituto: qual variável carregou peso extremo, qual pergunta mudou de ordem, qual quota ficou descoberta, e quem confirmou cada ponto, com horário.

A pesquisa eleitoral sempre teve duas entregas que o instituto pagava embrulhadas num salário de estatístico. Uma era transformar 1.600 entrevistas em percentual até o fechamento do jornal. A outra era dizer que uma rodada não podia ser divulgada, com o número do conselho embaixo da recusa.

Com o laudo em uso numa carteira de cinco disputas estaduais, as rodadas com peso estourado caíram de 37 no semestre anterior para 4 no seguinte, e o tempo médio de correção caiu de 61 para 7 horas. Quando a diretoria perguntou de onde tinha vindo a queda de retificação enviada ao tribunal, Marina mandou a planilha com a marcação de cada rodada.

A proposta nova saiu no início do ciclo eleitoral, com a unidade trocada para rodada auditada:

Laudo de plano amostral e ponderação por rodada, com peso extremo, rotação de pergunta, quota descoberta e fonte confirmada com horário: R$ 2.300 por rodada

Auditoria de registro de pesquisa no sistema do tribunal, conferência de plano amostral, questionário e contratante antes do protocolo: R$ 7.400 por ciclo

Treinamento de leitura de pesquisa para assessoria de campanha, turma de até 12 pessoas: R$ 5.800 por turma

Um instituto regional e uma assessoria de campanha estadual fecharam contrato de ciclo. Dez meses depois, sem cobrir um plantão de apuração, Marina fechou um mês acima de R$ 21 mil com 9 laudos de rodada e 1 auditoria de registro.

 
 

II  Radar de Automação

O cálculo sai em minutos, a assinatura ainda pede uma pessoa

A automação não apagou o estatístico de instituto. Ela apagou o trecho que só precisava virar entrevista em percentual dentro do prazo, deixou exposto o trecho que depende de alguém recusar uma rodada ruim, e transformou em produto o que o instituto sempre tratou como bom senso de bastidor: quem conferiu, a que horas, olhando qual arquivo.

O radar de hoje está na regra fixa com dado padronizado. Sorteio de setor censitário, controle de quota, ponderação por várias variáveis e cálculo de margem de erro chegam prontos em minutos, e o sistema repete o procedimento igual em cinquenta rodadas seguidas sem cansar.

A obrigação de ter um responsável não nasceu com o software. O registro prévio pede plano amostral, questionário, valor contratado e um profissional identificado pelo conselho, e trocar o cálculo humano por sistema não moveu essa responsabilidade para dentro do sistema.

O que mudou foi o preço relativo. Rodar a ponderação virou capacidade de processador, repetida em qualquer instituto que compre a mesma licença. Dizer que a rodada do fim de semana não pode ser divulgada porque o interior ficou 18% abaixo da quota custa o que custa a pessoa que assume a recusa.

Rodadas acompanhadas depois que o sistema passou a montar o questionário, 118 no total

Dessas, com peso de ponderação acima do limite interno, 37 no total

Tempo médio até alguém corrigir uma dessas rodadas, 61 horas antes do laudo

A assimetria que o setor ainda digere tem prazo. A economia do software aparece rápido, em hora de estatístico e em volume de rodada entregue. O custo de uma pesquisa mal ponderada aparece devagar, numa impugnação protocolada por advogado de campanha ou numa manhã de apuração em que a urna desmente o percentual publicado.

"As entidades e empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos deverão registrar, no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais, até cinco dias antes da divulgação, as informações previstas nesta Resolução."

Tribunal Superior Eleitoral, Resolução 23.600, 2019

O texto descreve o trabalho que sobrou para gente: responder por um arquivo protocolado com nome e inscrição profissional. Quem segue sendo pago por rodada entregue é pago por uma etapa que o sistema executa mais rápido, e herda o preço dessa comparação.

Quem é pago por rodada auditada é pago por uma recusa com data, arquivo e horário, do tipo que uma contratante precisa ter no papel quando a divulgação vira processo e o juiz eleitoral pede o plano amostral inteiro.

 

Quem banca a edição de hoje

Exploring AI Voice With SuperBloom

Scaling a campaign globally means finding a voice that resonates everywhere—without losing the overall message. For Deel's "Feeling of Deeling" campaign, agency SuperBloom needed exactly that: a consistent brand voice across markets, deployed fast, without sacrificing quality or consent. They built it with Branded AI Voice, powered by real, professional talent.

SuperBloom and Voices break down how the campaign came to life in this on-demand video session—from strategic talent selection through seamless production workflows and global scale, to the governance that future-proofs an audio strategy built to last. You'll hear directly from the team on how they made this happen, plus their advice if you're looking to explore AI voice for your brand.

If you're a marketing executive, agency creative, or brand leader mapping campaigns in international markets, watch this on-demand session to get a real playbook, not a hypothetical—lessons any creative team can apply to their own global rollout.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O movimento de hoje

Um laudo de rodada com peso, quota e limite

O movimento de hoje cabe num caderno de campo. Ele separa em linhas o que sempre foi pago embrulhado num salário de estatístico, bem onde o software entrou.

1. Escolha uma disputa que você já acompanha e reconstitua as últimas cem rodadas divulgadas. Cada linha entra com cinco campos: qual pesquisa, o que estava errado, onde a regra do tribunal tratava daquilo, quantas horas até a correção, e quem corrigiu.

2. Transforme o caderno num laudo por rodada, com data e dono: qual variável carregou peso extremo, se a ordem dos nomes girou entre os entrevistados, qual quota ficou descoberta, e quem confirmou cada ponto com horário. Anote rodadas fora do limite e horas de correção no semestre anterior e no seguinte. A curva separa quem opera o sistema de quem responde pelo resultado.

3. Escreva o que o seu laudo cobre e o que fica de fora. Duas frases bastam: assumo a conferência do plano amostral, o exame dos pesos de ponderação, a verificação de quota e rotação de pergunta e o registro da fonte com horário; não respondo por entrevista coletada antes do meu contrato nem por divulgação feita sem o protocolo prévio. O limite escrito separa favor de função com preço.

A recusa aparece rápido: o sistema já calcula certo e o instituto sempre teve um responsável no papel. Quem não paga pelo laudo descobre o valor dele com uma divulgação impugnada por peso de ponderação que ninguém conseguiu justificar.

Os contratantes que aceitam têm perfil reconhecível. Instituto regional que já teve rodada questionada no tribunal, veículo que publica percentual na hora em que o registro sai, assessoria que precisa saber se a vantagem de 3 pontos cabe dentro da margem de erro.

A travessia aqui não é de profissão. Marina segue estatística, com a mesma leitura de amostra, peso e intervalo de confiança que aprendeu no instituto. O que ela trocou foi o item do contrato: saiu a rodada entregue, entrou a rodada auditada com arquivo e horário.

Recalcular a rota, aqui, começa por uma escolha que cabe no fim de qualquer conversa sobre pagamento em pesquisa automatizada. Continuar sendo pago por rodada entregue, sabendo que o software calcula a ponderação sem você, ou cobrar por rodada auditada, assumindo o peso, a quota e a inscrição no conselho embaixo da recusa. As duas contas estão acima.

"Quanto do meu salário pagava o cálculo, e quanto pagava a assinatura?"

 
 
 
Sorteia a sua etapa de hoje. Oito etapas, uma por dia. O ebook ensina, o app cobra. Sortear minha etapa de hoje.

Sortear minha etapa de hoje →

 
Quiz da edição

Segundo a edição, das 118 rodadas de pesquisa que Marina anotou no caderno de plantão, quantas tinham peso de ponderação alto o bastante pra mudar a ordem dos candidatos?

A22 rodadas
B37 rodadas
C29 rodadas
D61 rodadas

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🧭🧭🧭🧭🧭  ótima 🧭🧭🧭🧭  boa 🧭🧭🧭  ok 🧭🧭  ruim 🧭  péssima
 
Recomendação de Newsletter
Best-Seller do Zero

Best-Seller do Zero

A técnica de escrita, um exercício simples e o mercado editorial, no seu email às 05:05.

Quero receber →

 
Sua jornada
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Amanhã nesta news

ED 033 · amanhã às 18:18

AI Overviews no Brasil

O redator de blog que vivia de busca orgânica depois que as AI Overviews do Google chegaram ao Brasil em…

 
 
 

Nos vemos na proxima rota.

Segunda Rota

SEGUNDA ROTA

A IA reescreveu as regras. Você pode reescrever a rota

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter