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Quatorze meses de caderno, 96 trilhas de gerador em campanhas que ele acompanhava, e 31 delas aprovadas com cessão assinada por quem não tinha como garantir a origem da melodia.
Vinícius Aragão tem 41 anos e mora na Lapa, a vinte minutos da produtora onde grava. Quinze anos de jingle, os dois últimos operando gerador ao lado do diretor de criação. O nome aqui vai trocado, e os dois anunciantes que hoje pagam pelo dossiê dele nunca compraram esse serviço de ninguém.
A mudança de função veio com o cachê remontado. Na composição, o pagamento juntava a criação do tema, a direção musical e o adicional por veiculação nacional em TV aberta. Na operação do gerador, a criação virou hora de estúdio e o adicional sumiu.
Antes, composição de tema com direção musical e adicional por veiculação nacional: R$ 14.500 por campanha
Depois do gerador, operação de gerador e finalização de mixagem, sem adicional de veiculação: R$ 4.900 por campanha
A virada veio por teimosia de quem já tinha assinado dezenas de contratos de cessão. Vinícius passou a anotar, num caderno de estúdio, cada trilha de gerador aprovada pela agência, com cinco campos: qual campanha, que documento de origem existia, qual cláusula prometia originalidade, quantos dias até o jurídico perguntar, e quem acabou assinando.
O retrato apareceu no fim do primeiro ano de caderno. Das 96 trilhas, 31 foram aprovadas sem documento sobre o material usado no treinamento do gerador, 24 tinham contrato prometendo garantia de originalidade ao anunciante, e 19 já estavam no ar quando o jurídico pediu a papelada. O intervalo médio entre a entrega e a primeira pergunta ficou em 23 dias.
Vinícius montou um dossiê de cessão por trilha, com o que precisa estar documentado antes de a música entrar na campanha: qual material entrou na criação, que contrato cobre cada cachê de músico, quem cedeu o quê a quem, e quem assina a garantia de originalidade com data.
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O jingle sempre teve duas entregas que a agência pagava embrulhadas num cachê de compositor. Uma era virar um briefing em trinta segundos de melodia que gruda. A outra era dizer, por escrito e com o próprio patrimônio atrás, que aquela melodia podia ir a rede nacional sem resposta de gravadora.
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Com o dossiê em uso numa carteira de sete campanhas, as trilhas aprovadas sem documento de origem caíram de 31 no primeiro ano para 3 no seguinte, e o prazo até a papelada fechada caiu de 23 dias para 2. Quando o diretor de contas perguntou por que caiu a campanha travada no jurídico, Vinícius mandou a planilha de cada trilha.
A proposta nova saiu no ciclo de verão, com a unidade trocada para trilha cedida com dossiê:
Dossiê de cessão por trilha, com origem do material, contrato de cada músico, cadeia de titularidade e garantia de originalidade assinada: R$ 6.800 por trilha
Auditoria de acervo musical em veiculação, conferência de contrato, cachê e cessão das trilhas já no ar: R$ 19.000 por marca
Treinamento de contrato musical para criação e jurídico de agência, turma de até 10 pessoas: R$ 7.200 por turma
Uma agência de médio porte e um anunciante de bebida fecharam contrato de ano. Onze meses depois, sem compor um tema do zero, Vinícius fechou um mês acima de R$ 27 mil com 3 dossiês e 1 auditoria de acervo.
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