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Cinco meses de proposta recusada, uma pasta com quarenta clipes automáticos por episódio e uma amostra onde 1 em cada 5 cortes dizia algo que o convidado não tinha dito.
Tiago tem 33 anos e mora em Porto Alegre. Sete anos de edição de podcast para produtoras e agências: entrevista em estúdio, mesa de três com câmera fixa, gravação remota com áudio dessincronizado. O nome vai trocado aqui, e a produtora que cortou o contrato dele é a mesma que hoje paga a curadoria por episódio.
O corte chegou pela renovação, sem reunião e sem aviso formal. A produtora principal assinou uma ferramenta de clipe automático em abril e passou a pedir só a finalização do episódio longo. Em cinco meses, os 14 episódios com pacote de clipes viraram 5, e os que sobraram eram os difíceis: quatro microfones e material de arquivo.
Com o pagamento preso ao clipe entregue, a matemática ficou direta:
Antes, 14 episódios por mês a R$ 420 pelo pacote de dez clipes: R$ 5.880 por mês
Depois da ferramenta, 5 episódios por mês, mesma tabela, mesmo computador: R$ 2.100 por mês
Mesma máquina, mesma sala, mesmos fones.
A virada aconteceu por teimosia. Tiago ainda tinha acesso à pasta compartilhada de duas produtoras e passou a abrir todo dia os clipes publicados sem revisão. Não reclamava com ninguém, anotava numa planilha: episódio, trecho de origem, o que o corte fazia o convidado parecer dizer, e o que ele tinha dito trinta segundos antes.
O resultado apareceu em quatro colunas depois de três meses. Em 820 clipes publicados sem revisão humana, 166 traziam defeito de julgamento: 61 de frase cortada antes da ressalva que mudava o sentido, 44 de repetição da mesma tese no mesmo episódio, 38 de trecho que contrariava a posição pública do cliente, e 23 de piada interna que só funcionava para quem ouviu a hora inteira.
Tiago começou a manter uma régua de escolha por programa. Que ressalva vem depois da frase, quantas vezes a tese já saiu no trimestre, o que o cliente defende em público, e se o trecho se sustenta para quem nunca ouviu o episódio.
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Ali o trabalho deixou de ser recorte e passou a ser duas entregas separadas que o mercado sempre pagou embrulhadas. Uma era o tempo de sincronizar, enquadrar e legendar. A outra era a responsabilidade por afirmar que aquele pedaço pode circular sozinho, com o nome do cliente embaixo.
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Com a régua na mão, a triagem dos quarenta clipes caiu de quatro horas para 40 minutos, e a produtora que testou o formato viu o alcance médio por clipe subir 3,4 vezes com um terço do volume no ar. Quando a diretora de conteúdo perguntou por que aquele programa passou a render mais postando menos, Tiago mandou a planilha com data ao lado.
A proposta nova saiu sete semanas depois, com a unidade trocada de clipe entregue para curadoria registrada:
Curadoria de episódio, leitura dos clipes automáticos contra a régua, com justificativa escrita de cada descarte: R$ 690 por episódio
Régua de escolha por programa, mapa de tema, ressalva obrigatória e limite de repetição: R$ 3.200 por implantação
Plantão de revisão, leitura do que vai ao ar na semana e registro do que foi barrado: R$ 1.700 por mês
A produtora aprovou o formato para três programas e passou a exigir curadoria registrada antes de qualquer publicação em conta de cliente. Seis meses depois, sentando na linha do tempo menos de uma vez por semana, Tiago fechou um mês acima de R$ 10 mil com 6 curadorias e duas implantações no contrato.
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