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Quatro meses de agenda encolhendo, uma carteira de sinistros aprovados sem ninguém olhar duas vezes, e uma amostra onde 1 em cada 8 aprovações rápidas tinha história diferente da que a foto contava.
Cláudio tem 41 anos e mora em Campinas. Nove anos de vistoria de automóvel para reguladoras terceirizadas: batida de garagem, retrovisor arrancado, porta amassada em manobra, capô com granizo. O nome vai trocado aqui, e a reguladora que cortou a agenda dele é a mesma que hoje paga o parecer por caso.
O corte chegou pela agenda, sem reunião e sem aviso formal. A seguradora principal ligou o aplicativo de vistoria por foto para colisão de baixa monta em março. Em quatro meses, as 22 vistorias semanais viraram 6, e as que sobraram eram as difíceis: dano estrutural e boletim de ocorrência confuso.
Com o pagamento preso à vistoria realizada, a matemática ficou direta:
Antes, 22 vistorias por semana a R$ 95 por laudo, com deslocamento pago: R$ 8.360 por mês
Depois do aplicativo, 6 vistorias por semana, mesma tabela, mesmo combustível: R$ 2.280 por mês
Mesmo carro, mesma cidade, mesma trena na mochila.
A virada aconteceu por incômodo. Cláudio ainda tinha acesso de consulta ao painel de uma das reguladoras e passou a abrir todo dia os sinistros que o aplicativo tinha aprovado sozinho. Não contestava nada, anotava numa planilha: placa, data do aviso, data da apólice, peça trocada, ângulo da foto, endereço do evento.
O resultado apareceu em quatro colunas depois de três meses. Em 640 sinistros aprovados por foto, 78 traziam alguma inconsistência: 29 de dano pré-existente reaproveitado, com a mesma avaria já visível na vistoria prévia da apólice, 21 de peça usada montada antes do aviso, com parafuso novo em chapa velha, 16 de aviso feito nos primeiros dez dias de vigência, e 12 de repetição de endereço entre segurados sem vínculo declarado.
Cláudio começou a manter uma lista de conferência por carteira, só por hábito de ofício. Qual foto de vistoria prévia existe daquele veículo, quantos dias separam a apólice do aviso, que peça aparece nova numa lataria antiga, que endereços se repetem no trimestre.
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Ali o trabalho deixou de ser medição de dano e passou a ser duas entregas separadas que o mercado sempre pagou embrulhadas. Uma era o tempo de ir ao pátio conferir se o amassado bate com a peça. A outra era a responsabilidade por afirmar que aquele pagamento é devido, com material que se sustenta na mesa de um juiz.
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Com a lista na mão, a análise de cada caso suspeito caiu de duas horas para 35 minutos, e a reguladora que testou o formato barrou R$ 214 mil em indenizações num trimestre. Quando o gerente de sinistro perguntou por que aquela carteira começou a devolver caso negado com fundamento, Cláudio mandou a planilha com data ao lado.
A proposta nova saiu seis semanas depois, com a unidade trocada de vistoria realizada para parecer registrado:
Parecer de caso suspeito, leitura da foto contra histórico, apólice e cadastro, com cadeia documentada: R$ 780 por caso
Lista de conferência por carteira, mapa de indício, prazo de carência e repetição de endereço: R$ 3.400 por implantação
Plantão de análise de contestação, revisão do caso que virou processo e registro do que sustenta a negativa: R$ 1.900 por mês
A reguladora aprovou o formato para três carteiras e passou a exigir parecer registrado antes de qualquer negativa acima de R$ 20 mil. Sete meses depois, saindo a campo menos de uma vez por semana, Cláudio fechou um mês acima de R$ 11 mil com 9 pareceres e duas implantações.
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