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Um ano de anotação, 640 alertas preditivos nas três fábricas que ele atendia, e uma coluna nova mostrando 118 casos em que a causa sugerida pelo painel e a causa encontrada na máquina não eram a mesma.
Anselmo tem 39 anos e mora em Joinville. Dezessete anos de chão de fábrica em extrusão de plásticos, os últimos seis como técnico contratado por três plantas de médio porte. O nome vai trocado aqui, e duas das fábricas que cortaram o contrato de ronda hoje pagam por ordem emitida.
O corte chegou pela troca de fornecedor, sem conversa prévia. Com a plataforma entregando coleta contínua e alerta no celular do gerente, a visita técnica parou de ser caminhada pelas linhas e virou leitura de painel na sala da manutenção. Em um ano, a ronda semanal virou chamado pontual, e a descrição do serviço passou de inspeção preditiva para conferência de alerta.
Com o pagamento preso à ronda, a matemática ficou direta:
Antes, ronda semanal nas três plantas com coleta manual, ficha por equipamento e plano de parada incluído: R$ 7.400 por mês
Depois da telemetria contínua, conferência de alerta e chamado por ocorrência: R$ 3.100 por mês
A virada aconteceu por teimosia. Anselmo continuou anotando numa planilha cada alerta em que o painel e a máquina discordaram, com quatro campos: a causa que o modelo apontou, o que ele encontrou ao abrir o mancal, a ação recomendada pelo sistema e a ação que de fato entrou na ordem de serviço.
O retrato apareceu no fim do ano. Dos 640 alertas, 118 tiveram divergência que mudava a intervenção, e 74 deles caíram numa causa só: o espectro lia aumento de vibração sem separar desalinhamento de acoplamento, folga de chumbador na base e cavitação na bomba a jusante, três problemas com o mesmo desenho no gráfico e três reparos que não se parecem.
Anselmo começou a montar um protocolo de checagem em campo por tipo de alerta, com o que precisa ser verificado antes da ordem sair: leitura de fase com relógio comparador, aperto de chumbador com torquímetro calibrado, medição de temperatura em quatro pontos da carcaça, foto datada com o número do ativo.
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Ali o trabalho passou a ser duas entregas separadas que a fábrica sempre pagou embrulhadas. Uma era o tempo de percorrer as linhas e localizar o equipamento doente. A outra era decidir quando a linha para, quanto de produção cai junto, qual peça entra no lugar e assinar o bloqueio que autoriza a intervenção.
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Com o protocolo em uso, a troca de componente sadio caiu de treze ocorrências para duas no ano seguinte, e a parada não programada caiu de nove para três. Quando o diretor industrial perguntou por que a conta de peça de reposição tinha encolhido, Anselmo mandou a planilha com data ao lado.
A proposta nova saiu no início do exercício, com a unidade trocada de ronda para ordem assinada:
Ordem de parada com laudo de causa raiz, equipamento, janela de parada, peça e procedimento de bloqueio justificados por ponto verificado em campo: R$ 380 por ordem
Parecer de divergência de alerta, texto que explica por que a intervenção diverge da recomendação automática, com foto datada: R$ 690 por parecer
Calibração semestral do protocolo, ajuste por histórico de falha do ativo e por mudança de regime de produção: R$ 4.200 por semestre
Duas fábricas e uma integradora de automação fecharam contrato anual. Nove meses depois, sem conferir painel na sala, Anselmo fechou um mês acima de R$ 12 mil com 31 ordens assinadas e 4 pareceres de divergência.
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