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Do avião ao canteiro, um projeto de três décadas.
Mark Pivac vinha da aviação. Engenheiro aeronáutico, passou a carreira entre máquinas que precisam de precisão milimétrica em movimento, e trouxe o raciocínio para um setor que ainda assenta tijolo como no tempo dos romanos.
A ideia nasceu de uma falta. Na Austrália, a construção de casas dependia de pedreiros de alvenaria, um ofício que atraía poucos jovens e envelhecia a cada ano, segundo a própria FBR em seus relatórios a investidores.
Pivac fundou a Fastbrick Robotics em Perth, e a empresa chegou à bolsa australiana em 2015, ano em que apresentou o primeiro protótipo, o Hadrian 105. Era um braço menor, montado sobre uma base fixa, que provou que a máquina conseguia empilhar blocos na ordem certa.
O problema que travava o projeto era físico. Um braço de dezenas de metros balança com o vento, com o próprio peso e com o motor do caminhão, e um bloco fora de prumo por poucos milímetros compromete a parede inteira.
A resposta foi o DST (tecnologia de estabilização dinâmica, um sistema que corrige o tremor do braço em tempo real). Um rastreador a laser fabricado pela Leica mede a posição da ponta do braço centenas de vezes por segundo, e a cabeça de assentamento compensa cada desvio antes de soltar o bloco.
Com o DST, a versão de 2018 ganhou o nome de Hadrian X e passou a trabalhar montada num caminhão, com o braço telescópico chegando a cerca de 30 metros, conforme as especificações divulgadas pela FBR.
Antes: o pedreiro esticava a linha, conferia o prumo e assentava tijolo por tijolo sobre a argamassa
Depois: o robô lê o desenho, corta o bloco e o cola no lugar, e a equipe cuida dos vãos e do acabamento
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“É comparativamente fácil fazer computadores exibirem desempenho adulto em testes de inteligência ou no jogo de damas, e difícil ou impossível dar a eles as habilidades de uma criança de 1 ano em percepção e mobilidade.” Hans Moravec, Mind Children, 1988.
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Moravec, pesquisador de robótica da Universidade Carnegie Mellon, descrevia o paradoxo que leva o nome dele. A parede reta é um problema de cálculo; o vão irregular pede olho e mão.
Depois da casa de 2018, a FBR seguiu construindo. Em 2023 entregou estruturas de casas na Austrália Ocidental, e em 2024 levou o Hadrian X para um programa de demonstração na Flórida, nos Estados Unidos.
A FBR não publicou quem fez o acabamento dos vãos da casa de 2018 nem quantas horas ele levou. O que se sabe, pelos vídeos e comunicados da empresa, é que a máquina parou na borda da janela e a obra continuou com gente.
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