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Sete meses aplicando prova prática, 40 finalistas de quatro vagas técnicas passando pela mesma tarefa cronometrada, e uma coluna nova na planilha mostrando que 31 travavam na primeira decisão de verdade.
Marina tem 41 anos e mora em Campinas. Treze anos de recrutamento, sete numa indústria de bens de consumo, com vagas de marketing, dados e suprimentos. O nome vai trocado aqui, e a casa que cortou a etapa dela hoje paga a prova por candidato avaliado.
O corte chegou pela troca de ferramenta, sem aviso formal. A empresa contratou um sistema de rastreamento de candidatos com filtro semântico plugado no anúncio, ranqueando currículo por aderência ao texto da vaga. Em cinco meses, as três recrutadoras viraram uma coordenadora e duas agendadoras, e o volume por vaga saltou de 90 inscrições para mais de 400.
Com o pagamento preso ao volume de vaga triada, a matemática ficou direta:
Antes, triagem de 3 processos simultâneos a R$ 2.600 por processo: R$ 7.800 por mês
Depois do filtro automático, agendamento de 1 processo, mesma mesa, mesmo sistema: R$ 2.600 por mês
A virada aconteceu por teimosia. Marina continuou acompanhando os contratados dos seis meses anteriores, anotando numa planilha a vaga, a nota de aderência que o sistema deu ao currículo, o que a pessoa fez na primeira semana e o motivo real da saída quando havia saída.
O retrato apareceu depois de sete meses. Dos 18 contratados pelo topo do ranking do filtro, 7 saíram antes do quarto mês, e em 5 casos o gestor descreveu a mesma cena: a pessoa sabia falar da tarefa em entrevista e travava diante do arquivo bruto da empresa.
Marina começou a desenhar uma prova prática por família de vaga, com material despersonalizado da própria operação. Uma planilha de vendas com duplicidade e coluna de data quebrada, um resumo de campanha com verba estourada, um pedido de compra com fornecedor divergente. Quarenta minutos, tela compartilhada, e três perguntas sobre por que decidiu daquele jeito.
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Ali o trabalho passou a ser duas entregas separadas que o mercado sempre pagou embrulhadas. Uma era o tempo de ordenar candidatos por semelhança entre texto e anúncio. A outra era desenhar a tarefa que revela a competência e corrigir a resposta com critério escrito e assinatura no fim.
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Com a prova em uso, o tempo entre a primeira entrevista e a proposta caiu de 26 dias para 12, e as duas vagas que testaram o formato fecharam o semestre com 9 contratados e nenhuma saída antes do sexto mês. Quando o diretor perguntou por que aquelas vagas pararam de reabrir, Marina mandou a planilha com data ao lado.
A proposta nova saiu dez semanas depois, com a unidade trocada de vaga triada para prova corrigida:
Prova prática desenhada por família de vaga, tarefa com material real da casa e critério de correção: R$ 4.200 por família
Correção de prova com parecer assinado, resposta lida contra o critério, com ressalva escrita: R$ 340 por candidato avaliado
Revisão trimestral do banco de provas, troca das tarefas que vazaram: R$ 2.400 por trimestre
A indústria aprovou o formato para três famílias de vaga e passou a exigir a prova antes de proposta acima de certo nível salarial. Oito meses depois, sem triar um currículo, Marina fechou um mês acima de R$ 12 mil com 24 provas corrigidas e duas famílias novas no contrato.
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